Quando o assunto é Energia Nuclear, os primeiros pensamentos são com relação a Hiroshima e Nagasaki, que foram bombardeados na Segunda Guerra Mundial.
Logo em seguida vem à memória as catástrofes das Usinas Nucleares de Three Mile Island, Chernobyl e Fukushima.
Também a tragédia do Césio-137 em Goiânia.
No entanto, as Usinas Nucleares são a única fonte limpa de energia que não dependem de condições climáticas como chuva, sol e vento.
Afinal, as Usinas Nucleares são boas para o Brasil?
Para responder a essa questão, vou entrevistar o Engenheiro especialista na matéria, Almirante Ney Zanella dos Santos.
Vamos a entrevista:
Como funciona uma Usina Nuclear?
É uma termoelétrica, com geração permanente, contínua, como todas as termoelétricas, só que a matriz, a fonte de calor da geração da energia vem do átomo do urânio. Então temos as termoelétricas a carvão, a diesel, a biomassa, a gás e a nuclear de urânio. É uma fonte de calor muito concentrada, que gera vapor, move turbinas e aí ela entrega no sistema elétrico a energia para utilização
A vantagem das termoelétricas é que elas têm uma geração permanente, ou seja, elas não dependem de outros fatores que não a sua fonte de calor. Então elas podem funcionar dia e noite. A gente chama esse tipo de geração de energia para o sistema como sendo uma energia firme, a energia de base, ou seja, que sustenta toda uma rede de consumo de um país
Qual é a Matriz Energética do Brasil?
A matriz energética brasileira, amplamente conhecida desde os estudos escolares, é historicamente marcada pela abundância de recursos hídricos. O Brasil, privilegiado pela vasta rede fluvial, iniciou sua geração de energia com base em usinas hidroelétricas. Posteriormente, o carvão foi incorporado e com o desenvolvimento do país, a demanda por eletricidade cresceu significativamente. As hidroelétricas desempenharam um papel fundamental nesse cenário inicial.
Com o passar do tempo, o crescimento populacional, que atualmente atinge cerca de 210 milhões de habitantes, impôs novos desafios. A matriz hídrica, embora essencial, demonstra limitações. Os principais rios já se encontram aproveitados e a dependência de fatores climáticos, como as variações sazonais de chuva, tornam a geração hidroelétrica vulnerável.
Em 2000, 2001 e 2002, o país enfrentou uma crise energética, impulsionada pelo aumento do consumo e pela redução dos níveis de água nos reservatórios. Diante dessa situação, foram propostas diversas soluções e o Congresso aprovou um programa de incentivo a fontes alternativas de energia. Essa iniciativa marcou o início da expansão de novas matrizes, como a eólica, a solar, a biomassa e o biogás. Paralelamente, foram instaladas usinas termoelétricas a combustíveis fósseis, visando atender à demanda em curto prazo.
É importante ressaltar que a construção de hidroelétricas demanda um longo período. Além disso, a abordagem ambiental, crucial nos dias de hoje, não possuía o mesmo rigor nas décadas de 1960, 1970 e 1980, quando muitas usinas foram construídas. A Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, a Rio-92, marcou um ponto de inflexão, impulsionando a discussão sobre sustentabilidade. Atualmente, a construção de uma usina hidroelétrica enfrenta grandes desafios, especialmente no que diz respeito às questões ambientais.
Observamos a construção de novas hidroelétricas, como Belo Monte, Girau e Santo Antônio, na Amazônia, com grande capacidade de geração de energia. No entanto, por questões ambientais, essas usinas nem sempre possuem reservatórios capazes de armazenar água para os períodos de seca. Belo Monte, por exemplo, utiliza tecnologia “fio d’água”, que não armazena água. Durante a estiagem, sua produção é drasticamente reduzida, demonstrando a sazonalidade desse tipo de geração. Para complementar essa baixa produção, recorre-se às fontes alternativas de energia.
No que diz respeito à energia nuclear, o programa brasileiro, lançado nas décadas de 1960 e 1970, era ambicioso. A intenção era construir quatro usinas nucleares. Contudo, por razões econômicas, os projetos foram postergados. Apenas Angra 1 e Angra 2 foram concluídas, enquanto Angra 3, em construção há 40 anos, enfrenta desafios. A priorização de fontes mais baratas, como solar e eólica, contribuiu para essa situação. Embora o Brasil possua grandes reservas de urânio, possivelmente entre as maiores do mundo, a produção não atinge o volume necessário para operar as usinas, em parte devido a questões legislativas e de investimento.
Pelo visto, o Brasil tem uma excelente participação de energia limpa em sua matriz energética.
O Brasil realmente tem o privilégio de ter uma das matrizes mais renováveis e sustentáveis, porque nós temos, digamos, quase que na faixa de entre 60 e 70%, uma grande instalação de hidroelétricas, temos a biomassa, a eólica, a solar, então isso mostra que temos um exemplo de matriz diversificada e renovável. Lembremos que a energia nuclear é uma energia limpa, ela entra nesse viés de energia limpa, de zero emissão. Assim, a energia nuclear entra como uma das energias de base, energia firme e com zero emissão. Não sou contra a solar, nem contra a eólica, mas elas são sazonais, elas são energias complementares, elas não são energia de base, porque não é possível contar com elas permanentemente, por razões óbvias. Elas causam muitas flutuações na rede porque a eólica depende do vento, que pode mudar ao longo do tempo e a solar que depende da incidência dos raios solares.
Por que os usuários são frequentemente castigados por bandeiras amarelas e vermelhas que oneram as suas contas?
Somos onerados na nossa conta com valores variáveis, aquela bandeira amarela e a vermelha, devido a essa sazonalidade que eu comentei. Num período de baixo nível de água nas represas, há uma grande deficiência de geração. E para compensar essa falta de energia, ativa-se as termoelétricas, que são energias firmes, que substituem a hídrica. E isso torna a energia mais cara, porque nela incidem valores do gás, do petróleo, que torna o preço do kilowatt gerado muito superior ao hídrico. E aí, para compensar esse custo, coloca-se uma bandeira amarela ou vermelha, mas por curto período. Assim que a situação melhora com relação à estiagem, vai se desligando as térmicas, e, para não ficar aquela conta alta, corta-se a bandeira de vermelha para amarela e de amarela para verde, de modo que pagamos o valor da energia em função da composição de sua geração. No caso da termoelétrica nuclear, ela não tem bandeira, ela funciona 24 horas, durante 365 dias, não há estiagem e ela sempre trabalha com preço fixo na nossa conta. Ela não muda, ela é, digamos, uma estabilidade da rede. Então, uma bandeira vermelha e amarela não tem nada a ver com a nuclear, porque a nuclear, repito, ela é constante como o seu preço.
Nesse caso, por que o Brasil não investiu majoritariamente em Usinas Nucleares em vez de fazê-lo em Usinas Hidroelétricas que dependem de condições climáticas não controláveis?
Bom, é uma pergunta interessante, porque vamos contextualizar na época em que se tomou essa decisão. O Brasil tem uma malha hidroviária muito grande e já havia muita tecnologia de construção de hidroelétricas, como engenharia e processos de geradores e sistemas de controle. Podemos comentar aqui, por exemplo, que a grande hidroelétrica de Itaipu, um projeto digno da engenharia brasileira. A engenharia nuclear, na época, dependia de importação, dependia de equipamentos todos feitos no exterior, apenas a construção civil seria feita aqui. Como era uma coisa inovadora, alguma coisa de tecnologia, na época, os cientistas e os decisores acharam que seria importante o Brasil entrar nessa era nuclear pelo avanço tecnológico e decidiu-se por comprar uma usina, no caso, americana, que foi Angra 1. Na sequência, o mercado estava bom naquela época, na década de 70, comprou-se mais quatro usinas alemãs, sendo que duas delas vieram, Angra 2 e Angra 3 ainda em construção. As outras não foram entregues porque o programa foi interrompido e foi por essa razão que se evoluiu muito mais em cima de hidroelétricas.

Na Matriz Energética do Brasil figuram ANGRA 1 e ANGRA 2. E ANGRA 3, quando passará a funcionar?
Na Matriz Energética, figura Angra 1 e 2 já operacionais e Angra 3 em construção. Angra 3 é um projeto totalmente controlado, porque é uma usina de uma geração 2, mas para licenciar uma usina, no contexto atual, nós estamos falando do século 21, Angra 2 e Angra 3 eram do século 20, vamos ter que incorporar em Angra 3 algumas tecnologias novas, que não estavam na época com Angra 2. Vou dar um exemplo, os equipamentos, os reloginhos eram analógicos, hoje todos são digitais, o controle eletromecânico, que era, digamos, bastante manual, hoje o controle eletromecânico da usina é digital. Essas nuances terão que ser incorporadas em Angra 3. Uma vez reiniciada a obra, que está parada há 10 anos por uma decisão política, serão 60 meses. O cronograma é muito amarrado e tem tudo detalhado, semana por semana de obras a serem construídas, porque a usina já está com 67% construída, ou seja, faltam 33%. Então, é só finalizar o que já está, basicamente, bastante encaminhado.
Está prevista uma ANGRA 4 ou a previsão é que as próximas Usinas Nucleares serão construídas em outros locais?
O Plano Nacional de Energia, que foi lançado esse ano de 2026 prevê uma expansão de geração nuclear entre 8 e 12 gigawatts.
Isso significa a construção de, pelo menos, mais 6 a 7 usinas, uma vez que cada usina tem uma capacidade, hoje, de 1.3, 1.4 Gigawatts. Então, sim, no sítio nuclear de Angra dos Reis, onde estão as atuais usinas, é prevista a construção, já por licenciamento, da usina Angra 4, que seria uma usina já moderna, na atualidade, com a geração 3+. E as outras usinas que serão concluídas, em outros locais, certamente serão usinas que estarão próximas de grandes centros de consumo, uma vez que são geradores de altíssima capacidade.
Não justifica colocar uma usina de 1.4 Gigawatts no meio da Amazônia, porque não há consumidores para isso. Temos que falar em grandes centros industriais, grandes centros residenciais, que consomem uma quantidade grande de energia. Uma usina de 1.4 Gigawatts atende aproximadamente a 4 milhões de pessoas.
Então, tem que ser em cidades e centros com bastantes consumidores.
Os estudos para as próximas Usinas Nucleares preveem miniusinas a serem distribuídas pelo território nacional ou as demais serão do porte das de Angra?
Essa pergunta trata de uma novidade. Se as próximas usinas nucleares, serão usinas de menor capacidade, chamadas de pequenas usinas, as small reactors, que seriam distribuídas mais próximas das cidades com menor população.
Essas small reactors não são hoje disponíveis comercialmente, só a Rússia as tem. A Rússia tem quatro reatores, sendo dois já em operação na Sibéria.
São dois reatores de aproximadamente 40, 50 Megawatts. E eles operam lá 24 horas na Sibéria, que é um lugar muito frio, que tem pouca gente, mas precisa de energia. Lá não é só energia elétrica, um detalhe que a gente tem que comentar.
Lá também é necessária energia térmica para aquecer as cidades e as indústrias. Então, além de gerar energia elétrica é também produzido aquecimento residencial e industrial com vapor de aquecimento. Hoje existem no mundo cerca de 80 projetos de reatores pequenos, ainda em evolução de testes, ainda não licenciados e ainda não comerciais.
Mas é o futuro, porque esses reatores são muito mais baratos do que usinas de grande porte. No seu modelo econômico é construído um reator pequeno que já vem quase que 80% pronto, faz-se sua instalação civil, plug-in, e vai se construindo o segundo reator enquanto o primeiro já está gerando.
Então, economicamente, ele é muito atrativo.
Quais são as condições técnicas para a localização de uma USINA NUCLEAR?
No passado, eram estudadas áreas que não teriam abalos sísmicos e que não tinham incidências de acidentes ambientais, tipo tsunami.
Hoje, com a tecnologia, os estudos de locais para os reatores se modernizaram bastante, até porque a técnica de construção civil faz as edificações muito mais resistentes. Há em Tóquio prédios que resistem aos terremotos e eles não caem, porque é uma nova tecnologia de construção civil. O mesmo ocorre com os reatores.
Houve uma evolução nesse sentido de modo que hoje, por exemplo, a França tem reatores até no interior, à beira de rios, à beira de cidades que têm grande consumo e que não têm uma estrutura geológica tão sólida quanto se exigia no passado. Em Angra 1 e 2 foi feita uma sondagem para colocar a base, para encontrar uma rocha que está a grande profundidade para resistir a terremotos e outros tipos de problemas. Hoje, isso já está um pouco mais dominado e, consequentemente, mais barato também.
Como os resíduos dessas usinas são tratados?
Há muitos questionamentos sobre o que se faz do resíduo dessas usinas, conhecido hoje com o nome de combustível irradiado. Antigamente se falava lixo atômico, hoje não existe mais essa palavra porque ele não é lixo, ele é combustível irradiado. Quando se coloca um combustível na usina, ele está 100% carregado e, depois, quando ele é retirado da usina, depois de 3, 4 anos, ele ainda está com 95% da sua capacidade.
Então, ele pode ser reaproveitado. Hoje já se tem tecnologia para reaproveitar esse combustível.
Mas no Brasil, ainda não tem. Porque temos só duas usinas e assim não há estoque necessário para reciclar. O combustível irradiado é guardado numa piscina pequena e ele fica lá armazenado. Já há combustível lá há 40 anos vindo de Angra 1.
Então, ele pode ficar guardado aí por mais muito tempo.
Por que depois do desastre de Fukushima a Alemanha decidiu desativar as suas Usinas Nucleares e depender cada vez mais do gás da Rússia?
O desastre de Fukushima, que foi o último, não foi um acidente nuclear e sim um acidente ambiental. Foi um tsunami, um terremoto no fundo do mar, que causou uma onda muito grande e aquela onda entrou no continente e foi afetando basicamente tudo que estava na orla, na costa do Japão.
A usina nuclear de Fukushima tem cinco reatores e foi afetada a casa de máquinas que ficava atrás dos reatores que geravam energia.
A onda entrou, o motor parou de funcionar e a usina ficou sem resfriamento. O que a usina fez? Ela desarmou, desligou, mas o sistema de resfriamento não foi suficiente para deixar resfriar, mesmo ela desligada. Com isso, tomaram-se medidas de precaução, evacuação das pessoas e em Fukushima não morreu ninguém de radiação nuclear.
Morreram pessoas no Japão fruto do acidente do tsunami, não nuclear. É um exemplo de que uma usina, mesmo antiga, ela é segura porque ninguém morreu por radiação nuclear. Então, vê-se que as medidas que se tomava no passado foram suficientes para preservar a população.
E hoje isso evoluiu muito, nem necessidade de evacuar seria necessário. Apenas as medidas atuais de modernização para resfriamento com controle do próprio reator.
A Alemanha desistiu não foi por uma questão técnica, nem de acidente. Foi por uma questão ideológica a favor ou contra a energia nuclear. Não entra em questão algum acidente, porque a Alemanha nunca teve acidente com nenhum com seus reatores, que ainda estão funcionando.
Estão em processo de desativação por decisão política, não por questões técnicas. Mas tudo está mostrando que agora nessa nova fase de crescimento há necessidade de energia nuclear para manter a economia ativa. Eles estão voltando a aplicar a energia nuclear e certamente em um futuro muito próximo estarão com seus reatores novos de geração 3+, ou possivelmente da geração 4 já funcionando.
Sua vizinha França tem hoje 56 reatores nucleares. Já estão construindo mais alguns e ela fornece energia para a Alemanha com base na energia nuclear. Porque ela é abundante e segura.
E ela não tem intermitência, 24/7.
É legítima a luta das entidades verdes contra a implementação de Usinas Nucleares, apesar de todos os aperfeiçoamentos introduzidos após o aprendizado das catástrofes anteriores?
Como é esse, digamos, não vou dizer embate, mas esse fórum de discussão com esses ambientalistas que têm um viés contra e criam certas barreiras para a implantação da energia nuclear. A resposta que eu diria é a seguinte. Primeiro, temos que respeitar a crença das pessoas que pelos seus vieses desejam ou não uma matriz com energia nuclear para geração de energia elétrica.
A outra é a forma com que se demonstra com argumentos científicos, técnicos e reais, comprovadamente testados. Então, no caso da energia nuclear, hoje, depois de 50 anos de operação, tivemos três notórios casos de acidentes com usinas nucleares. Uma delas foi nos Estados Unidos, com a Three Mile Island, que não chegou a vazar, mas era um processo muito antigo que mostrou que havia necessidade de se corrigir alguns rumos.
O acidente de Fukushima, o último, que foi um acidente que foi causado por um tsunami. Hoje, então, introduziram-se novos conceitos nas usinas para evitar acidentes quando ocorrem interferências dessa magnitude. E o caso intermediário disso foi o de Chernobyl, na Ucrania, que causou realmente um acidente muito grave, de uma tecnologia que já na época o ocidente não usava, uma tecnologia que foi totalmente abolida e mostrava que precisava realmente se aprimorar.
Então, vamos considerar qualquer analogia, para ficar fácil o entendimento, se a gente pega um televisor da década de 60 e pega uma Smart TV hoje, não há termos de comparação com imagem, com tecnologia. Você ligava a TV, ela levava quase 2 minutos para acender, tinha que acender os raios católicos, as válvulas, tudo. Hoje você liga uma Smart e na hora já está com a imagem.
Então, as usinas hoje, a geração 3+ e a geração 4, elas têm um avanço tecnológico, que eu não vou entrar em detalhes aqui, que permite que o monitoramento da operação seja feito quase automaticamente por inteligência artificial, por sistema sem interferência do homem. E a segurança é provida pelo próprio sistema, ele se auto protege. Então, nunca mais tivemos um acidente de usinas nucleares e hoje há cerca de 450 usinas no mundo operando.
Isso mostra que a coisa é segura.
Morar perto de uma Usina Nuclear é perigoso?
Lógico que não. Não tem nada a ver.
Como é que a gente pode dizer? O que se faz é uma medição de micro Sievert que é o nível de radiação que as pessoas têm. Num raio de 800 metros da operação da usina, você praticamente já não tem mais nenhuma interferência, ou seja, não afeta em nada a população, nem animal, nem a vegetação, nada, absolutamente nada. E os operadores que estão dentro da usina, num raio de aproximadamente, às vezes, de 20 metros do reator, esses são monitorados. E para você ter uma ideia, um operador pode receber um nível de radiação por ano de aproximadamente 20 micros Sieverts. E um operador normal de uma usina dessa, tem estado ao longo de um ano num nível de 4 a 5 micro Sieverts, ou seja, está muito abaixo do limite de segurança. E nem é que com 20 vai morrer.
Então, não morar perto de uma usina não tem nada a ver. Tanto que os habitantes que estão morando em Angra continuam frequentando as mais belas praias da nossa Costa Verde.
A Usina Nuclear pode explodir como uma bomba nuclear?
De forma nenhuma, o princípio é outro. Uma bomba foi construída para explodir. E o reator, ele não foi feito para explodir.
Aliás, ele não consegue explodir. Porque ele é comprimido, ele trabalha com água. E a água não explode.
A água expande e vaza, se for o caso. Ela não tem explosão. Então, apesar da contenção que se vê de concreto nas torres quando há reatores, aquilo não é para efeito de explosão.
É para fazer contenção se tiver vazamento de gás. Aí ele não sai para a atmosfera. Não é o caso, não tem ocorrido isso e nem há registro disso, mas por precaução se faz esse tipo de proteção.
Mas, explosão mesmo, como uma bomba, não. Porque o reator não foi feito como uma bomba para explodir. Ele foi feito para gerar energia elétrica.
Ele aquece a água e é um paradigma que as pessoas associam, mas é diferente. A geladeira explode? Não, ela foi feita para esfriar. Pode vazar o gás lá atrás? Pode, pode vazar o gás.
Mas isso não quer dizer que ela vai explodir. Não, ela está gelando, só.
Carro é movido com motor é explosão e nem por isso o carro explode. Pode pegar fogo? Pode.
O tanque de gasolina lá, por algum incidente, pega fogo. Mas aí tem as precauções. Mas o carro não explode.
Porque ele trabalha com o motor a explosão, ele não foi feito para explodir. Ele foi feito para andar. Então, a gente tem que associar para a gente desmistificar essa questão.
A Energia Nuclear é cara?
Não, a energia nuclear não é cara.
A ANGRA 1 está operando há 40 anos. Qual é o preço viável e que se cobra da energia nuclear dela? É 380 reais o megawatt.
Se considerarmos uma termoelétrica a gás, hoje, operando aqui no Brasil, está na faixa de 1.800 reais o megawatt. E emite gás.
E a nuclear, não. Agora, a usina é cara? Construir a usina é caro? É caro, porque ela tem alta tecnologia, muita tecnologia e sempre moderna.
Então, ela pode ser um instrumento mais caro no início, mas ao longo do tempo o custo dilui porque ela foi feita para durar 60, 80 anos.
E uma usina que se constrói hoje, que opera durante 60, 70 anos desse período normalmente se prorroga por mais 50%. Ou seja, estamos falando de um século.
Um século, a gente pode dar um exemplo. Há um século, 100 anos atrás, a gente comprava um Ford Bigode 1927. Era um carro caríssimo, porque pouca gente tinha acesso.
Passados 100 anos, um Ford Bigode é como se fosse de graça. Hoje, a população toda compra carros. Então, o caro é uma referência de momento.
E que, com o passado do tempo da operação da usina, ela mesma se paga, ela gera lucro para se construir outras. Então, não é caro, é barato.

Almirante Ney Zanella dos Santos serviu na Marinha do Brasil por 42 anos como submarinista, alcançando o posto de Vice-Almirante. Em 2019, foi eleito Engenheiro do Ano pelo Instituto de Engenharia. Atualmente, é CEO da Núcleo Brasil Energia Participações (NBEPar) e Presidente do Conselho Consultivo da ADVB e da Terminus S.A., empresa que desenvolve o primeiro micro reator nuclear brasileiro.
Após sair da Marinha e passar para a reserva em 2013, fundou e presidiu três empresas do setor nuclear: AMAZUL e ENBPar (estatais) e Núcleo Brasil Energia Participações (privada). Foi Assessor de Gestão Estratégica e Assuntos Nucleares do Ministro de Minas e Energia e presidiu os Conselhos da NUCLEP e da INB, além de integrar os conselhos da Norte Energia. Entre 2023 e 2025, exerceu a vice-presidência e presidência da Seção Latino-Americana da American Nuclear Society (LAS-ANS). É graduado em Engenharia Mecânica e Ciências Navais pela Escola Naval, com doutorado em Políticas e Estratégia Marítima (Escola de Guerra Naval) e em Política e Estratégia (Escola Superior de Guerra). Cursou Gestão Corporativa na Fundação Dom Cabral. Nasceu em São Paulo, em 30 de junho de 1953.
Nily Geller é Engenheiro Eletrônico formado pela PUC RJ com larga experiência no setor de telecomunicações, atualmente VP da FBM – Fundação Brasileira de Marketing, Conselheiro da ADVB – Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil, Diretor da Área de Telecom da FIESP e Sócio Diretor da Janar Engenharia.
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