por Luiz Henrique Miranda

Pesquisa revela novo comportamento do consumidor

As empresas do G5 (TWF/Competence e Sunbrand), de Porto Alegre (RS), realizaram sondagem on-line, com abordagem quanti e qualitativa, no período entre 1 e 3 de abril. Amostra considerou 1.000 respondentes, localizados nas regiões Sul e Sudeste do país, sob o clima do Covid-19.

Objetivo do estudo foi identificar a nova mentalidade (mindset) e o que vai mudar na cabeça das pessoas pós lockdown. Também quis medir a intensidade da nova consciência sobre a importância da vida na modificação de valores, expectativas, comportamento de consumo e novos hábitos.

O resultado aponta quais setores serão priorizados e postergados em matéria de consumo. E quais as condições que vão atrair mais o consumidor. Serão os descontos? Combos? Prazos? Trata-se de instrumento para ajudar os atuais e futuros clientes na tomada de decisão de modo consciente, coerente e consistente.

O substrato qualitativo da análise contrapõe os valores Medo x Desejo, que permeiam o novo comportamento do consumidor após Covid-19. No que tange ao Medo, está a insegurança, o contágio e as dificuldades financeiras. E ao Desejo, as aspirações, que incluem consumir, voltar à vida normal e ter acesso ao lazer.

Reflexões e Conclusões

O período de confinamento, ainda em curso, estabeleceu um sentimento coletivo e real de aproximação da morte.  Isso resulta em salto gigantesco de consciência. E esta, por sua vez, arrasta novos valores que vão afetar cultura, comportamento e hábitos de consumo.

Em termos práticos, a pesquisa traz dados e informações valiosos para empresas dos mais diferentes setores econômicos. Por quê? Apresenta o mindset e a percepção dos consumidores em relação às mudanças. Também lembra que, em todos eventos desta natureza, a humanidade soube se reinventar.

Conclusão peremptória: os novos comportamentos, que incluem home-office e compras on-line, farão com que o varejo físico nunca mais tenha a importância de outrora. Os consumidores reaprendem a viver, tanto no plano individual como em coletividade.

Força da Internet

Dos respondentes, 66,4% se concentraram na faixa entre 30 e 65 anos, com maior concentração entre 30 e 45 anos. Produzida via mídias sociais, pesquisa corrobora e comprova que a Internet passou a exercer papel central na vida de todo mundo. Constitui um ambiente imenso, com frentes diversas de solução e representação máxima da conveniência.

Exceto aposentados e funcionários públicos, todos os demais segmentos serão muito afetados pela nova realidade econômica. 66,2% dos funcionários regidos pela CLT alimentam expectativa positiva em relação à manutenção dos seus empregos.

No entanto, 57% dos entrevistados estão certos de que terão suas fontes de renda alteradas pela crise econômica, principalmente empresários formais, autônomos, prestadores de serviços e trabalhadores informais.

Soluções híbridas

Impulsionados por promoções baseadas em descontos à vista (51,3%), os pesquisados revelam não ter mais preferência por compras em ambiente físico ou digital. Desejam consumir a partir do modo mais conveniente possível (59,6%). Eis uma grande oportunidade para que negócios tradicionais criem soluções híbridas, ágeis e que coloquem as necessidades do consumidor no centro de tudo – e não a perspectiva da empresa.

Alimentação (74,2%); saúde (43%) e educação (26,3%) configuram o núcleo dos investimentos e prioridades dos pesquisados. Por outro lado, turismo (81,5%); roupas e calçados (77,3%); estética e beleza (71,2%) e bens duráveis (57,1%) tornam-se supérfluos, nesse momento.

Essencial x Aspiracional

A redução do poder de consumo das pessoas reativou um modo de consumo primal: o consumo essencial. No novo mercado, estarão em alta marcas e negócios que entregarem as necessidades primárias da pirâmide de Maslow aos consumidores: a sobrevivência.

Alimentação, saúde, segurança e educação assumem, cada vez mais, um papel central no eixo de decisão e compra. Por sua vez, a necessidade de status e auto expressão assumirão papel aspiracional na vida dos consumidores.

Os consumidores pretendem voltar à sua rotina, normalmente, após o lockdown (53,8%), e aspiram por viajar (39%), investir em estudos (21,3%), seguido por reformas (16,75%), ou compras de imóveis (12,1%) e troca de automóvel (11%).

Medo x Desejo

Impera no mindset dos consumidores a força do binômio medo x desejo. Por um lado, as pessoas sentirão, por certo tempo, medo em relação à sua segurança física (medo de contaminação) acompanhado da insegurança financeira (medo de realizar gastos e investimento, por exemplo).

De outro lado, o desejo serve de força propulsora. Desejo de crescer, progredir, aproveitar a vida e viajar. Forças antagônicas que geram um sentimento de ansiedade e angústia em grande parte dos consumidores.

Efeito solidariedade

Empatia é central para a relevância: 84,7% dos pesquisados dizem que as empresas que demonstraram sensibilidade e solidariedade nesse período de crise acabaram ganhando o seu afeto. As regras do mercado agora são outras.

Renascerão e sobreviverão aos impactos do Covid-19 marcas e negócios que souberem se conectar com as novas necessidades das pessoas. A pandemia de Covid-19 vai deixar marcas profundas em nossa sociedade.

Prevê-se que as pessoas passarão a comprar de modo mais consciente, valorizando as pequenas empresas ou empresas locais. Mas ainda existe uma grande oportunidade para marcas que souberem colaborar com o momento em que o mundo todo vive.

O estudo conclui que o conhecimento do novo mindset, necessidades e anseios das pessoas será fundamental ao desenvolvimento de uma entrega de relevância para a retomada do mercado.

*Luiz Henrique Miranda da Agência Amigo é editor da ADVB News.

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