Não é possível considerar que exista um único modelo de mulher empoderada. Os desafios vencidos pelas mulheres variam, de acordo com o tempo e espaço em que vivem. É preciso reconhecer como cada uma delas consegue superar limites impostos por uma batalha cotidiana, travada contra preconceitos e adversidades de toda ordem.

Alguns dados objetivos servem de referência para dimensionar o grau de dificuldade que é enfrentar uma sociedade que privilegia um gênero em detrimento de outro. Aqui, no Brasil, segundo pesquisa recente divulgada pelo Dieese – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, a cada 10 diretores e gerentes, quatro são mulheres. No entanto, a remuneração delas foi 29% menor. Em média, eles ganharam R$ 40 por hora. E elas, R$ 29.

Tem mais: Mulheres gastaram 95% a mais de tempo em afazeres domésticos do que os homens. Em média, no quarto trimestre de 2019, foram 541 horas a mais por ano, equivalente a 68 dias (considerando uma jornada de 8 horas/dia). Ou seja: a dupla jornada de trabalho requer esforço redobrado das mulheres, quando não triplicado, ou ainda, elevado a patamares surpreendentes.

Não menos surpreendente é a história de vida que marca a trajetória de superação traçada pela primeira mulher presidente da tradicional e vitoriosa escola de Samba Vai-Vai, consagrada como a campeã do grupo de acesso no desfile do Carnaval de 2020, na gestão de Anna Maria Murari.

Nascida em Roma, na Itália, dia 24 de dezembro de 1949, e batizada pelo Papa Pio XII, ela veio para o Brasil com oito meses de idade, junto com os pais: Julio, nascido na região de Verona e Antonia, na região da Toscana. Eles vieram em busca de novas oportunidades, após a II Guerra Mundial.

“Foi um amigo de meu pai, médico e pracinha brasileiro, que lutou ao lado dele, quem sugeriu a viagem”, recorda.  Assim como a sua mãe, Anna Maria enviuvou cedo, aos 32 anos, com três filhos para criar. Uma filha faleceu de câncer ósseo no final da década de 80. “Minha mãe sempre foi uma guerreira e, desde cedo, aprendi a enfrentar desafios”, garante Anna Maria.

Com a morte prematura do pai, Anna tratou então de assumir os negócios da família. Experiente, na arte da culinária italiana, está no comando da tradicional e famosa cantina Taberna do Julio, considerada referência turística do Bixiga, reduto da imigração italiana e africana que caracteriza população residente no bairro da Bela Vista, em São Paulo.

Advogada por formação, Dra. Anna dedica-se voluntariamente à Vai-Vai há mais de 54 anos. “A bateria ensaiava circulando as ruas do bairro. A Vai-Vai não tinha quadra. O desfile era feito na Avenida São João, depois foi para a Avenida Tiradentes, antes de chegar ao Sambódromo. Naquela época, mamãe já ajudava a escola, como tantos outros comerciantes”, recorda saudosa.

Além de prestar serviços de assessoria jurídica à Vai-Vai, como integrante do Conselho de Segurança da Comunidade, Dra. Anna sempre manteve atuação aguerrida em defensa da comunidade. É a representante da Vai-Vai junto aos diferentes órgãos públicos.

Pouca gente sabe ou se lembra, mas como Diretora Social da União do Bixiga, por 30 anos, foi ela quem conseguiu resgatar a festa da Nossa Senhora da Achiropita – a qual, em 1979, foi definitivamente para a rua; em 1980, firmou-se com autorização da prefeitura e, atualmente, recebe mais de 200 mil visitantes de todo o Brasil.

Considerada a principal responsável pela conjugação de esforços que permitiu a conquista, apesar de todas as adversidades, do retorno triunfal ao Grupo Especial do carnaval paulistano, Dra. Anna é aclamada pelos integrantes da escola de samba para exercer novo mandato de presidente da Vai-Vai. Vovó do Leonardo (24), Matheus (22), Enzo (14) e David (de meses), ela conta orgulhosa: “Dois dias após o término do Carnaval, recebi a notícia que nos próximos meses ganharei uma netinha”. Animada com a notícia, ela planeja, incansável, realizar uma série de encontros de mulheres na sede da escola de samba Vai-Vai. Quer aproveitar o espaço da quadra para promover eventos corporativos.

“Junto com a ADVB, entidade nossa parceira, fizemos convite a Luiza Helena Trajano, do grupo Mulheres do Brasil, para que venha fazer uma palestra. Afinal, a esmagadora maioria da Comunidade que trabalha o ano inteiro pelo sucesso no desfile é composta de mulheres”, antecipa. Além do contato com a bem-sucedida empresária, que comanda uma das maiores redes de lojas de varejo do Brasil, e outras empresas integradas à sua holding, Dra. Anna deseja reativar, na Bela Vista, o Rotary Clube paulistano.

Indagada de onde vem tamanha energia, capacidade de superação e realização, responde, com sabedoria: “Deve estar no DNA”.   

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