por Faveco

Concordo com o Presidente Jair Bolsonaro: a participação do  Ministro Sergio Moro no  depoimento à CCJ do Senado foi nota 10.  Aliás, tão brilhante como ele foi o Senador Álvaro Dias, cujo discurso deve ser ouvido. Basicamente, ele disse que criminosos, estes hackers que invadiram a privacidade de juízes e promotores e cujas “descobertas” foram divulgadas pelo site The Intercept Brazil, do qual eu nunca tinha ouvido falar e cuja origem desconheço,  não podem comprometer a Lava Jato.

Também vale destacar a intervenção do novato Senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), que assinalou estarmos diante de uma ação criminosa que visa desmoralizar as instituições e sepultar a operação Lava Jato e outras. Segundo ele, o que restou ao grupo político ferido de morte foi a narrativa de perseguição, apesar de sentenças terem sido confirmadas por 2, 3 ou 4 instâncias superiores.

O artigo do jornalista Merval Pereira no jornal O Globo, sob título “Conspiração”, também deve ser lido com atenção.  Ele escreve, entre outras coisas muito apropriadas e relevantes: “a captação ilegal dos diálogos do então juiz Sergio Moro com o chefe dos procuradores de Curitiba, Deltan  Dallagnol, é apenas parte de uma ação coordenada contra a Lava Jato” E cita o professor Silvio Meira, da Universidade Federal de Pernambuco, um perito no assunto: “ninguém faz isso sozinho, não aconteceu por acaso, tem um desenho por trás“.

“O que a oposição pretende é soltar o ladrão e prender o xerife”, segundo o brilhante José Nêumanne em seu canal no You Tube.

Ainda que uma quantidade de jornalistas e juristas avermelhados desejem  ardentemente a anulação dos processos, num evidente esforço orquestrado para libertar Lula, desta vez o buraco é mais embaixo. Além da fragilidade das acusações contra Moro e Dallagnol, baseadas em conversas privadas obtidas de maneira ilegal que nem mesmo foram comprovadas como verídicas por pericia técnica da polícia, conversas estas que eles afirmam não ter nada de ilegal, não acredito que os defensores dos condenados venham a ter êxito. A sociedade está vigilante e não aceitará este recuo justamente no momento histórico em que vê, finalmente,  políticos e empresários poderosos irem parar na cadeia.

Apesar dos ministros soltistas e “garantistas” estarem vibrando com a oportunidade que acreditam ter de melar tudo, como sempre quiseram, não creio que a Segunda Turma do Supremo (onde estão encastelados Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski), que vai julgar um pedido de suspeição do ex-juiz Sergio Moro apresentado pela defesa do ex-presidente, ceda ao barulho sensacionalista feito por seus adeptos e se volte mais uma vez contra a grande maioria da opinião pública que quer que o homem continue preso pagando pelos crimes que cometeu, cujas provas, de tão robustas e insofismáveis que são, embasaram a decisão confirmatória da sentença por instâncias superiores.

Vejamos!

A nota zero vai para a nossa economia, que despenca ladeira abaixo. Demorou demais a Câmara dos Deputados para aprovar a reforma da previdência, pedra angular para a pretendida virada. Mesmo que aprovada em agosto, não haverá mais tempo para recuperar 2019 e lançar as bases para um ano próximo significativamente melhor.

Como afirmou Adolfo Sachsida, Secretário de Política Econômica, “só esta reforma não basta mais para crescer”.

No afã de “dar uma lição a Bolsonaro”, que não quis compactuar com o velho sistema de presidencialismo de coalizão, ou de cooptação, recusando-se a distribuir benesses  para formar a tal base de apoio, eles empurraram com a barriga a apreciação da matéria causando grandes prejuízos para a população que os elegeu, às voltas com uma taxa de desemprego inaceitável e uma crise que afeta a todos, classe média incluída. Só os mais apaniguados, aqueles que pertencem à chamada alta classe alta, onde se incluem os parlamentares, é que continuam numa boa.  No mais, barra pesada para todos nós, que temos que apertar o cinto até onde for possível. E já estamos no limite

É de se aplaudir a coragem do Ministro Paulo Guedes em defesa da nova previdência. Quando perguntado por um deputado, em mais uma daquelas intermináveis sabatinas na Câmara, a que privilégios ele se referia na sua proposta, respondeu objetivamente: “privilégio é o salário médio dos servidores do legislativo, de 28 mil reais, enquanto um aposentado do INSS recebe 1300”. O deputado enfiou a viola no saco…

E assim, nesse clima de 10X0, seguimos nós, cidadãos de um país campeão de desigualdades que, por incrível que pareça, vê o analfabetismo crescer.

Isso é justo?

Obrigado,

Faveco

Flavio Corrêa (Faveco) Presidente do Conselho da ADVB
blog.: www.faveco.com.br