por Faveco

A insatisfação é generalizada, não só entre os 20 milhões de desempregados, desalentados e subaproveitados como dentre os jovens, que não estão conseguindo vislumbrar um futuro promissor à sua frente. A choradeira vem também dos empresários de todos os portes, cujos negócios não conseguem crescer dentro de um entorno macroeconômico hostil que lhes tira a coragem para investir. Até os afortunados, aqueles que têm emprego, já não conseguem dormir à noite com medo de perdê-lo.

É óbvio que este ambiente, somado aos crônicos problemas nas áreas da educação, infraestrutura, saúde e segurança, sem falar na corrupção, indicam que há algo de podre no reino da Dinamarca…

É impressionante a quantidade de opiniões e comentários que recebo diariamente de cidadãos dos mais variados setores e classes sociais questionando o sucesso do nosso regime. Não é para menos, diante da balburdia que estamos vivendo.

Um dos alicerces da democracia representativa é a separação dos poderes, regra que está sendo infringida a todo o momento. É o Congresso assumindo as funções do Executivo, como no caso de seu projeto de reforma tributária, é o Supremo Tribunal Federal invadindo a seara parlamentar, como no caso da homofobia, é o Executivo legislando por medidas provisórias que muitas vezes não consegue emplacar, como é o caso da sua reforma administrativa, que não passou na sua integralidade quando os deputados decidiram tirar o COAF do Ministério da Justiça, onde o governo pretendia alojá-lo em busca de um combate mais eficiente à corrupção, à lavagem de dinheiro e ao crime organizado.

Até parece uma ópera bufa sendo encenada para uma plateia de milhões de brasileiros que se sente cada vez mais impotente para exigir as mudanças pelas quais votou majoritariamente em outubro do ano passado.

Afinal, quem manda na casa de Irene?

O editorial do Estado de S. Paulo da última sexta-feira escreve que o presidencialismo está esvaziado e que o país está vivendo uma espécie de parlamentarismo branco, no nosso caso regido pelo velho e famigerado Centrão, conglomerado de partidos que tem atrapalhado muito o Brasil.

Em artigo também de sexta-feira, na Folha de S. Paulo, Cláudia Costin cita o livro “O povo contra a democracia”, do cientista político alemão Yacha Molunk, “que analisa o crescimento, em escala mundial, de uma ultradireita populista associada à descrença nas instituições da democracia liberal”.

A verdade histórica é que esta democracia liberal, que hoje se vê contestada pela direita, sempre foi execrada e combatida pelas esquerdas, que batalhavam e batalham pela tomada do poder para impor regimes autoritários nos quais possam se locupletar, como aconteceu em alguns países ao redor do planeta.

A democracia, que Winston Churchill dizia ser o melhor dos regimes, mesmo porque não conhecia outro melhor, está sendo questionada em quase todo o mundo, ensanduichada por cima e por baixo, especialmente nos países onde não conseguiu apresentar bons resultados palpáveis para as suas populações – e são muitos.

Como o nosso.

Não é de se estranhar que esta situação provoque reações em massa.

As manifestações de rua programadas para hoje, domingo, 26 de maio de 2019, são uma clara demonstração de que uma parcela expressiva da  população não está contente com o “status quo” e que exige ser ouvida quando se trata de decidir os destinos da nação, frustrada que está com a constatação de que o seu voto nas últimas eleições não produziu os resultados almejados.

Critica especialmente o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal, que, no seu entender, não estão contribuindo para a governabilidade dentro de um ambiente que não aceita conchavos e que excomungou o tradicional toma lá dá cá.

E expressa seu apoio ao Presidente da República, que se esforça para por em prática as suas promessas de campanha, lutando contra corporações avessas às mudanças, sempre que elas signifiquem perda ou diminuição dos seus privilégios.

Ainda é muito cedo, apenas cinco meses, para atirar a toalha e abandonar o ringue.

Isso me faz lembrar um mote de campanha do Lula, que ajudou a reelegê-lo: ”deixa o homem trabalhar”…

Com o apoio do povo, as coisas podem sim evoluir para melhor, já que político só tem medo mesmo é de clamor popular.

Se der certo, como esperamos, será uma grande vitória da nossa democracia, pela qual temos que lutar até o fim com todas as nossas forças, a força da cidadania, por que sem ela a perspectiva será pior do que a realidade.

Obrigado,

Faveco

Flavio Corrêa (Faveco) Presidente do Conselho da ADVB
blog.: www.faveco.com.br