por Faveco / Flavio Corrêa

Os brasileiros honestos que querem ardentemente o combate à corrupção e que elegeram Jair Bolsonaro e renovaram boa parte do Congresso, levaram três potentes bordoadas num só dia: quinta-feira.

A primeira delas partiu, como sempre, do nosso “querido” Supremo Tribunal Federal, que já tinha mandado para a Justiça Eleitoral crimes comuns sempre que associados ao caixa 2, que já é crime por si só, e dado aos deputados estaduais as mesmas proteções e imunidades dos federais e senadores (só falta os vereadores).  Agora o nosso “querido” Supremo”, que não se cansa de afrontar a sociedade, validou o inaceitável “insulto” de Natal do ex-Presidente e hoje presidiário Michel Temer, datado de dezembro de 2017, que vai perdoar e soltar condenados por crimes de colarinho branco como os presos da Lava Jato. Será que Temer estava legislando em causa própria?

A segunda e a terceira pancadas vieram da comissão mista que discute a reforma administrativa, esta mesma que quer criar mais ministérios entregando as bocas para Davi Alcolumbre e Rodrigo Maia, numa nefasta reedição do toma lá dá cá…

A segunda bordoada é a que propõe a retirada do COAF do Ministério da Justiça. Ainda há quem tenha esperança de que o plenário desfaça este atentado contra a decência. Eu não acredito que isso venha a acontecer, pois os políticos, velhos e novos (quem diria), morrem de medo do Sérgio Moro e de sua implacável cruzada contra a corrupção, a lavagem de dinheiro e o crime organizado. Afinal, os novos devem estar pensando lá com os seus botões: “eu sou você amanhã”, como alertava a publicidade da vodka Orloff, criada pela Standard, Ogilvy, agência que eu dirigia.

O terceiro golpe tem mesma origem, e foi desferido sem dó nem piedade contra os auditores fiscais, proibindo-os de compartilhar indícios de crimes com outros órgãos como a Policia Federal e Ministério Público. Vocês devem estar lembrados que tudo isso começou quando os auditores levantaram suspeitas sobre a origem da fortuna de Gilmar Mendes e sua esposa.

E vem mais por aí. A Câmara dos Deputados quer votar ligeirinho, como fizeram com aquela PEC do orçamento impositivo cuja velocidade de tramitação assombrou até mesmo pilotos de Fórmula 1, o projeto que altera a Lei de Abuso de Autoridade, a fim de manietar ainda mais os agentes contra o crime e criar um enorme guarda-chuva para proteger de eventuais turbulências jurídicas malfeitores de todos os tipos, especialmente os políticos.

Fico me perguntando: para que tivemos o trabalho de votar em outubro do ano passado e eleger um governo que propunha menos Brasília e mais Brasil e combate duro à corrupção?

E a propalada renovação do Congresso? Parece que conseguimos renovar caras, mas não atitudes. É de arrepiar os cabelos de cada um de nós que votamos pela renovação e contra o lulopetismo que tantos estragos produziu, constatar que o governo continua refém do famigerado Centrão, agrupamento de partidos como PP, PR, PRB, PTB, SD, MDB, Podemos, Cidadania, Pros e Patriota, entre outros ainda menos votados, alguns deles de propriedade de cidadãos às voltas com a justiça.

Acontecimentos estão a indicar que se depender deles o Brasil jamais deixará de ser um país subdesenvolvido e que continuará perpetuamente incapaz de aproveitar seu potencial de se transformar num país próspero e socialmente justo.

A nação corre o sério risco, por exemplo, de que a reforma da previdência, nossa tábua de salvação, seja desidratada pelos nobres representes do povo ao ponto de torná-la inócua e de transformar em fumaça nossas esperanças de crescimento e geração de emprego. Apesar das juras de amor dos deputados, o risco existe, e quanto mais o tempo passa, mais ele aumenta. O Paulinho da Força já disse ter medo de que se a reforma passar pode reeleger Bolsonaro… Pode?

Desidratar é a palavra da moda. Como já estão ensaiando fazer com o decreto presidencial que flexibiliza o porte de armas, esquecendo que no referendo de 23 de outubro de 2005 sobre se o comércio de armas de fogo e munição deveria ser proibido, 64% da população votou não (87% dos meus conterrâneos gaúchos assim o fizeram). O fato incontestável é que nunca foram assassinados tantos brasileiros (60 mil por ano) como após a aprovação do Estatuto do Desarmamento. Essa lei promovida pelos “politicamente corretos” conferiu aos bandidos o monopólio das armas e retirou dos cidadãos o sagrado direito de legítima defesa. Os bandidos andam mais armados que nunca antes na história deste país e cometem crimes a torto e a direito, certos de que as vítimas indefesas não podem reagir. Ou não podiam…

Mas não me canso de alertar que a cruzada anticorrupção ainda poderá receber o golpe fatal, com a possível revisão pelo STF de sua própria decisão de permitir a prisão de condenados em segunda instância. Se isso acontecer, será a decretação definitiva de que o Brasil é mesmo o país onde o crime compensa.

Obrigado,

Faveco

Flavio Corrêa (Faveco) Presidente do Conselho da ADVB
blog.: www.faveco.com.br     

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